sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mal-acondicionado, acervo da Biblioteca Pública do Estado 
de Alagoas corre risco de se perder   



Acervo em risco

Parte dos livros, obras e periódicos pertencentes à Biblioteca Pública Estadual, abrigados no Cenarte durante reforma do prédio, foram comprometidos nas últimas chuvas; material mal-acondicionado continua em perigo 


Alessandra Vieira (*)
texto e foto

Quando a Biblioteca Pública Estadual foi fechada, em 24 de novembro do ano passado, para dar início à obra de restauro do seu prédio, o destino do seu acervo bibliográfico ainda era meio incerto. As informações da Coordenação Setorial de Administração da secretaria do órgão eram de que os seus 93 mil títulos seriam transferidos para outros equipamentos da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). Enfim, o local escolhido para abrigá-los foi o Centro de Belas Artes de Alagoas (Cenarte). Hoje, quase oito meses após o início da reforma, quem tiver curiosidade de saber notícias sobre o acervo e for ao centro vai ter uma surpresa.
Além de mal-acondicionado, devido às últimas chuvas, parte dele foi comprometida – ou perdida. Com o fato inesperado, o que irá acontecer com os livros, obras e periódicos – distribuídos em estantes em local inapropriado; embalado em caixas de papelão ou coberto por lona –, é tão incerto quanto o seu destino antes de chegar ao Cenarte. “Perdeu-se muita coisa. Não vamos nem tirar os que ainda estão em caixas porque temos medo que aconteça de novo. As chuvas destruíram muitos livros. A gente não sabe o que vai fazer agora”, lamentam as funcionárias.  
Procurada para falar sobre o assunto, a diretora da Biblioteca Pública, Maria Luiza Russo, afirmou não ter conhecimento sobre o ocorrido. “Desconheço qualquer informação nesse sentido. Não houve perda alguma”.
No entanto, a situação é visível. Ao passar pela frente do Cenart, o transeunte pode avistar montantes empacotados por lona preta. Em outra área, mais um monte encoberto tenta se proteger de próximas chuvas. Dezenas de caixas empilhadas no chão – umas em cima das outras – aguardam atenção adequada. E mesmo as obras acondicionadas nas estantes não estão livres de serem comprometidas mais uma vez, já que ainda não foram feitos os reparos necessários no teto.           

REFORMA – O projeto de modernização da Biblioteca Pública – localizada no Palacete Barão de Jaraguá, na Praça Dom Pedro II, a conhecida Praça da Catedral – foi pensado no sentido não só de apoiar como dinamizar as ações por ela desenvolvidas, transformando-a em um centro cultural acessível, moderno e de fácil visitação.
Fundada em 26 de junho de 1865 pelo então presidente da província de Alagoas à época, João Gonçalves Campos, foi incorporada ao Estado em 1941 e seu prédio – considerado importante exemplar arquitetônico do Século 19, um dos poucos existentes no Centro da cidade que não sofreram descaracterização – recuperado no governo Luiz Cavalcante, passando a ser Monumento Histórico Estadual por decreto em abril de 1985. 
A reforma, com prazo de conclusão de um ano, foi orçada no valor de R$ 1.793.180,77 e faz parte de convênio firmado entre a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) com o Estado de Alagoas através da Secretaria de Estado da Cultura. Os serviços incluem restauro do prédio, modernização de sua estrutura, aquisição de mobiliário e equipamentos tecnológicos, além da instalação de um telecentro, onde serão fornecidos ao público computadores com acesso à Internet banda larga.
Enquanto prosseguem as obras no palacete que a abriga, fica a pergunta. Quanto tempo mais o seu acervo permanecerá na incerteza, à espera de solução para o seu acondicionamento em local adequado até que volte para o seu lar reformado, com novo nome, Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos – como será chamada a partir da conclusão dos serviços –, e com a promessa cumprida de sua ampliação e atualização prometidas pela reforma.

(*) em parceria com a jornalista Elô Baeta.

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