quarta-feira, 21 de março de 2012

Dona Clarice faleceu no sábado (10), em São Sebastião


 Morre mestra Clarice

 No sábado (10), Alagoas perdeu mais um patrimônio vivo da cultura. Dona Clarice, mestra artesã na arte da renda de bilro, faleceu aos 79 anos, em São Sebastião. Segundo informações da Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande/AL), Dona Clarisse faleceu em virtude de complicações decorrentes de uma cirurgia de vesícula a que foi submetida na última quinta (8).

Em maio do ano passado, Dona Clarice foi tema de matéria publicada no O JORNAL. No texto, a jornalista Shirley nascimento escreveu: “A mestra, que sabe fazer todo tipo de renda de bilro e já deu aulas nas extintas Emater e LBA, entre outros locais, chega a utilizar cento e oitenta bilros para fazer uma única peça. Vai depender do tamanho da mesma e da complexidade do traçado. Ela ilustra uma peculiaridade da arte do bilro e da renda em geral com um episódio ocorrido em São Sebastião. Praticamente, não há homens fazendo renda. ‘Um homem aqui da cidade tentou fazer o bilro, mas ficou mal falado. Ele estava aprendendo com a avó. Eu acho que, se for pra ganhar dinheiro honesto, não tem problema’. Ela acredita que a tradição ainda vai durar muito e defende a renda feita em Alagoas. “Época que vem muito turista, como final de ano e em janeiro, é quando mais procuram aqui em casa. A renda mais bonita, a mais bem feita, é a de Alagoas. Aqui não tem renda mal feita”. Um dos momentos mais felizes em mais de seis décadas dedicadas ao bilro foi quando recebeu a homenagem estampada no portal na entrada da cidade. ‘Fiquei muito feliz porque tive resultado com meu trabalho, com apoio ou sem apoio, e conheci muita gente boa’. Dona Clarice também foi homenageada pelos Correios quando São Sebastião completou 50 anos que havia se tornado cidade e teve uma foto sua estampando um selo. Mas ninguém pense que ela está pensando em descansar os bilros tão cedo. ‘Continuarei fazendo a renda até o dia que o homem lá de cima me deixar fazer, até quando ele disser ‘já trabalhou muito aí, então muda pra cá’”.

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